sábado, março 05, 2005

IV Capítulo

Continuação...

O salário que recebia não era suficiente para pagar uma faculdade e se manter. Medicina então, era um sonho impossível. Nesta época, a família passava por momentos difíceis e todos ajudavam em casa. Até um namorado mais velho, se ofereceu para pagar seus estudos, mas o orgulho e o medo de assumir um compromisso sério, a fez recusar. Clara teve que esperar mais dois anos. Neste meio tempo fez curso de fisioterapia e massagem e conseguiu uma bolsa parcial num cursinho preparatório, só então decidiu que iria fazer comunicação. Prestou vestibular em cinco universidades, foi aprovada em quatro. Mas teve que se contentar com a faculdade de sua cidade, devido ao emprego e as despesas que teria. Em sua turma poucos trabalhavam, a maioria era mantida pelos pais. Clara se virava como podia, conciliando o trabalho e as tarefas da faculdade, já que ela não se permitia ser reprovada, pois não teria como pagar mais uma disciplina.
Durante quatro anos ela enfrentou muitas dificuldades, viu muitos amigos desistirem , mas sempre foi determinada e seguiu sem pendurar nenhuma matéria. Clara também conquistou os professores, que permitiram que ela apresentasse seu trabalho de conclusão sozinha, pois não dispunha de tempo para se reunir em grupo.
No dia da apresentação à banca de professores, veio a lembrança toda a dedicação e esforços investidos naqueles quatro anos, e que agora estavam sendo colocados à prova.
Ao final da noite, um 8,5 condecorou todo seu empenho. Ela foi elogiada por professores e amigos, pois naquele mesmo dia dois grupos haviam sido reprovados, inclusive o de suas amigas mais chegadas. Sentiu a frustração das colegas e lamentou. Clara lembrou agradecida da ajuda de sua família e de alguns poucos amigos pessoais, com quem ela também pôde contar na preparação de sua tese.
E a vida seguia. Por não ter feito estágio na área, pois dependia do seu salário para pagar os estudos e se manter, estava recebendo o diploma sem grandes possibilidades de iniciar no mercado. Vivendo em uma cidade razoavelmente pequena e com poucas oportunidades de empregos, deparou-se com um problema comum à maioria dos universitários brasileiros. Faltava o conhecimento prático.
Decidiu continuar seus estudos num curso de pós-graduação na capital. O proprietário da empresa em que trabalhava a três anos, cuidando do departamento financeiro, prezava sua capacidade e responsabilidade e se ofereceu para custear sua pós com intuito de mantê-la na empresa.
E assim foi por mais um ano e meio. Quando decidiu que entraria na área, pediu demissão e foi a luta. Somente depois de um ano conseguiu um emprego sem QI (quem indica). E seguiu batalhando por melhores oportunidades. Trabalhou em empresas de diferentes segmentos na Capital, enfrentou períodos de desemprego, mas nunca desistiu. E sempre que começava em uma empresa, Clara empolgava seus chefes com sua disposição e iniciativa. Sempre em busca de novas idéias, viabilizava projetos em parcerias que beneficiavam à todos. Percebeu então, que tinha feito a escolha certa. Gostava mesmo, desta profissão.


Continua...