sexta-feira, março 04, 2005

III Capítulo

Continuação...


Clara e sua irmã mais velha frequentavam a mesma escola no período da tarde, e aí começaram os problemas. Clara não podia chegar em casa sem sua irmã, que perdia a noção do tempo enquanto namorava, depois da aula. Clara esperava horas a fio numa outra esquina, com fome e às vezes frio, por sua irmã. A desculpa para os pais tinha que ser combinada entre ambas. E Clara se chateava, pois não gostava de mentir. A educação que receberam, embasada nos princípios morais que seus pais transmitiram não só verbalmente, mas dando exemplos ao praticá-los no dia-a-dia de suas vidas simples, e no convívio familiar, acompanharão o caráter de Clara por toda sua jornada.
Ao contrário de sua irmã mais velha, ela aprendeu a não desafiar o pai de maneira ostensiva, aos poucos ia conquistando seu espaço. Mesmo quando aos catorze anos arrumou um empregou e levou uma autorização do Ministério do Trabalho para o pai assinar, e este lhe rasgou o documento. Dizendo que ela não precisava tirar a carteira de trabalho, pois tinha que estudar e não trabalhar.
Clara não desistiu, queria ajudar a mãe a comprar uma TV, queria ir ao dentista, queria comprar chocolates e roupas. E começou a trabalhar sem registro mesmo. Depois de alguns meses, voltou a fila do Ministério do Trabalho, convenceu a mãe a assinar o documento e tirou sua carteira de trabalho.
Agora estudava no período noturno e não podia mais frequentar as aulas de educação física. Mas ela não abandonou o esporte, descobriu que poderia treinar basquete no clube à noite. E lá foi ela , pedir para treinar com o time juvenil , no qual a professora era a melhor jogadora da cidade. Alí nasceu sua admiração pelo esporte. Sua professora era uma maezona, séria e tranquila. Quando jogava impressionava pela agilidade e precisão. Comandava o time com a mesma maestria e seriedade com que comandava seus treinos na equipe juvenil.
A vida de Maria Clara era corrida, durante a semana nos dois dias de treino, ela teria que perder a primeira aula na escola. Quase desistiu dos treinos, mas armou um esquema e de tanto implorar às professoras, pegava a matéria com os colegas e as professoras abonavam-lhe as faltas. Jamais foi reprovada em alguma matéria, mas o pai implicava com o horário em que chegava em casa, principalmente quando ia jogar em outras cidades.
Assim foi até concluir o segundo grau, neste meio tempo trocou de clube, jogou em duas ou três cidades próximas, mas queria mesmo era fazer a faculdade.


Continua...