segunda-feira, agosto 30, 2004

O MEDO DE SER CAMPEÃO

Assim como todo brasileiro, quero dar meu palpite sobre as Olímpiadas de Atenas.
Apesar de ter sido uma atleta medíocre, sem nenhum talento (fato que eu reconhecí ainda jovem, e por isto segui em busca de outras aptidões para me profissionalizar), não diminuíram minha paixão pelo esporte, principalmente o basquete.
Mais até hoje, participando dos Campeonatos de Veteranos, eu reconheço sem modéstia que na quadra busco a vitória até o último instante. Esta motivação nata, que termina contagiando o grupo, ajudou minha equipe a vencer ontem, um jogo pelo Campeonato da UVB no Clube Juventus.
Nossos olhos de torcedores fanáticos vêm o óbvio. Dirigentes, técnicos, jogadores, etc.,podem argumentar falta de conhecimento técnico, mas a verdade é que dedicamos um tempinho de nossas vidas para observar, ler e entender tudo que se passa nos esportes pelos quais nos apaixonamos, não há como ocultar as falhas destes milhões de técnicos.
E nestas minhas férias, dedicadas exclusivamente às Olímpiadas, eu pude observar que o atleta brasileiro também precisa de preparação psicológica. Nossos atletas decididamente não sabem lidar com pressão, com cobranças, com a idéia de ser o melhor do mundo.
Alguns fatores me deixaram intrigada.
Como pode uma atleta internacional e experiente como a Helen, deixar a ansiedade dominar sua mente, transformando-a numa jogadora apática e com uma atuação irreconhecível, num momento tão importante para a seleção e para sua própria carreira?
O que dizer da Daiane? Das meninas do vôlei? Do Jadel Gregório? Todos com bons resultados mundiais e que sucumbiram em Atenas, aparentemente pelo descontrole emocional.
Precisamos aprender com Scheidt, Grael, Bernardinho e até com nosso herói Vanderlei Cordeiro de Lima, que o brasileiro não pode viver só de garra e improviso, tem que ter preparação física, técnica e psicológica e acreditar que pode ser o melhor do mundo. Só assim, um País desta dimensão, poderá competir nas mesmas condições de países vencedores, que se repetem nos quadros de medalhas.
Lógicamente que a estrutura das nossas confederações teriam que mudar muito, e o esporte precisava ser visto com mais seriedade, assim como é encarado nestes países que invetem a longo prazo. Mas esta é uma outra história, que pode começar a mudar com mais atitude dos próprios atletas.
Meu reconhecimento por estes brasileiros, não é só pelo ouro que eles trouxeram, mas pela maturidade e profissionalismo com que administram suas carreiras esportivas.
Não gosto de culpar nossos atletas, mas desta vez, acho que as maiores falhas foram deles, principalmente daqueles que chegaram perto de uma medalha, que mesmo sendo de bronze, significaria estar entre os treis melhores do mundo em mais uma Olímpiada.
E como diz Vlamir Marques, com o tempo você percebe o quanto é importante uma medalha olímpica. Ela é para toda a vida, e vai fazer parte da história de um País mesmo quando seu dono já estiver ausente.


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